Clubes criticam no STF fim das bets; Flamengo estima perda de R$ 430 milhões por ano
Audiência conduzida pelo ministro Luiz Fux ouviu 11 clubes inscritos, e Grêmio e Inter já tiveram de buscar patrocínio alternativo para o fim do Brasileirão.
Por que afeta o RS: Grêmio e Inter, clubes gaúchos, também têm contratos com empresas de apostas que podem ser afetados pelo fim das bets.
Redação Bairrista · Repórter de Esportes · · 2 min de leitura

Representantes de clubes de futebol disseram nesta terça (3), em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), que a proibição das apostas de quota fixa compromete receitas de contratos firmados sob a legislação anterior. Os expositores também criticaram o prazo de dez dias para a adaptação ao novo modelo, segundo a Agência Brasil.
Grêmio e Inter acertaram com o Banrisul um patrocínio máster pontual para os seis jogos finais do Brasileirão. O valor não foi divulgado oficialmente. O ge apurou R$ 3,6 milhões por clube, ou R$ 600 mil por partida.
Flamengo fala em R$ 430 milhões e 1,2 mil empregos
O primeiro a discursar foi o Flamengo, por meio do vice-presidente Flávio de Araújo Willeman. Ele afirmou que o clube pode perder R$ 430 milhões com a proibição e que até 1,2 mil empregos podem ser afetados. O número é uma estimativa apresentada pelo dirigente na audiência, e não um demonstrativo financeiro divulgado pelo clube.
Willeman defendeu que o governo invista numa regulamentação mais efetiva do setor, em vez de proibir a atividade. Ele argumentou que a proibição não impede o crescimento de plataformas clandestinas. Ao final, disse que o Flamengo não ignora os problemas sociais ligados às apostas ilegais, mas defendeu a proteção dos contratos firmados pelo clube e pelas demais equipes.
Na sequência, falaram representantes de Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo e Corinthians. Em comum, os expositores disseram que os acordos com as empresas de apostas foram celebrados com base nas regras em vigor à época.
O que a medida provisória determina
A audiência trata dos impactos da medida provisória que proibiu as apostas de cota fixa em todo o país. A Medida Provisória 1.394/2026 foi publicada em 25 de setembro de 2026, pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e já está em vigor.
Participam da audiência representantes de órgãos do Poder Executivo, de clubes, de organizações esportivas, do comércio e de associações e institutos ligados ao setor de apostas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu a proibição e citou o impacto das apostas no SUS, segundo a Agência Brasil. Fux, que conduz a audiência, disse ter a percepção de que as bets devem ser banidas.
Na parte da manhã, os clubes que falaram foram os seis citados acima. Grêmio e Inter não estavam entre eles. A matéria será atualizada se a posição formal dos dois clubes gaúchos for apresentada na sessão da tarde.
Serviço
A audiência pública segue ao longo desta terça (3), no STF, em Brasília, com os clubes restantes falando na parte da tarde. A sessão é transmitida pela TV Justiça.
Perguntas frequentes
A proibição das bets já está em vigor?
Sim. A Medida Provisória 1.394/2026 foi publicada em 25 de setembro de 2026 e já está em vigor, com prazo de dez dias para adaptação.
Quanto o Flamengo estima perder com a medida?
O vice-presidente Flávio de Araújo Willeman estimou perda de R$ 430 milhões e até 1,2 mil empregos afetados, segundo estimativa apresentada na audiência.
Grêmio e Inter já substituíram o patrocínio das bets?
Sim. Os dois clubes acertaram com o Banrisul um patrocínio máster pontual para os seis jogos finais do Brasileirão, com valor estimado pelo ge em R$ 600 mil por partida.
Saber mais: fontes consultadas (4)
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