CGT convoca greve geral na França para 5 de novembro após reunião sem medidas de Lecornu
Sindicatos saíram de duas horas e meia em Matignon sem anúncios sobre salário e energia, e novos protestos de lycéens e coletes amarelos estão marcados para sábado.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A CGT, central sindical francesa, convocou greve geral a partir de 5 de novembro. O anúncio veio nesta quarta (21), depois de uma reunião de duas horas e meia no gabinete do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, em Matignon. A secretária-geral, Sophie Binet, disse que o governo não apresentou "nenhuma medida" para atender às reivindicações de trabalhadores e estudantes.
Binet afirmou que "a greve deve assumir o protagonismo" e pediu assembleias nos locais de trabalho para ampliar a paralisação. A data é a mesma de uma jornada de greve e manifestações que um grupo de sindicatos (a intersindical) já havia marcado no início de outubro.
Demais sindicatos também pedem mobilização
A CGT não está sozinha. Marylise Léon, secretária-geral da CFDT, disse que o governo não estava "no tempo certo" e chamou uma grande mobilização no dia 5. Sophie Vénétitay, do sindicato de professores SNES-FSU, classificou as respostas de Lecornu como muito abaixo do esperado e pediu uma "greve muito grande".
O presidente da CFTC, Cyril Chabanier, reconheceu que Lecornu deixou uma porta aberta para discutir o salário mínimo, mas sem compromisso. Segundo a agência Reuters, as questões de poder de compra serão tratadas numa segunda etapa, sob a coordenação do ministro do Trabalho, Jean-Pierre Farandou. O governo não informou data para essa rodada.
Violência de sábado pesa na negociação
Os protestos de sábado (17) contra a alta do custo de vida terminaram em cenas de violência em várias cidades. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou que 2.397 pessoas foram detidas em todo o país e que 997 policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos. Só em Paris, 855 pessoas foram detidas. O prefeito do Ródano, Etienne Guyot, falou em 160 detenções em Lyon.
Lecornu avisou que o prejuízo material com as depredações "vai ser pesado" em todo o país. O presidente Emmanuel Macron, em visita a Doha, disse que o comando do Estado não pode vacilar diante da violência.
Combustível e escola na pauta
O preço dos combustíveis está no centro da irritação. No início de outubro, Lecornu anunciou a liberação de 10 milhões de barris de reservas. Segundo ele, a medida deveria baixar o litro do diesel entre 12 e 18 centavos de euro nas bombas.
No setor educacional, entidades de lycéens (estudantes do ensino médio) e universitários cobraram uma audiência com o primeiro-ministro. Elas dizem que os ministros da Educação e do Ensino Superior não apresentaram medida concreta. Os estudantes não foram convidados para a reunião desta quarta.
Coletes amarelos e estudantes voltam às ruas no sábado
Novas manifestações de coletes amarelos e estudantes estão previstas para este sábado (24). A greve e as manifestações da intersindical acontecem na quinta-feira, 5 de novembro, em todo o território francês. Os sindicatos já cobram do governo respostas sociais antes dessa data.
Saber mais
- France 24 – Cobertura ao vivo da reunião em Matignon
- Franceinfo – Sindicatos após reunião com o governo
- Boursorama (Reuters) – Sindicatos apelam a grande mobilização em 5 de novembro
- Franceinfo – Balanço de detenções após o 17 de outubro, segundo o ministro do Interior
- LCP – Lecornu recebe os sindicatos, sem os lycéens
- Stéphane Larue – CGT quer estender a greve a partir de 5 de novembro
- Franceinfo – Allocução de Lecornu sobre lycéens e combustíveis
- RTBF – França após o dia de mobilização que virou caos
Leia também
Cuba pede de cinco a 13 anos de prisão para 18 manifestantes acusados de sedição

Comissão da Câmara ouve mães de crianças desaparecidas em audiência nesta quarta (21)

Quedas levam quase 15 mil crianças ao hospital no 1º semestre de 2026, aponta SBP

Milei diz em Madri que confia em recuperar as Malvinas pela diplomacia e descarta guerra

Mais lidas
1Real Time Big Data dá Flávio 52% a 48% sobre Lula; Alfa tem 51,5% a 48,5% no mesmo dia2Debate de domingo mexe pouco com dólar e Ibovespa; pesquisas dominam o pregão3Dólar fecha em queda de 0,58%, a R$ 5,0189; Ibovespa sobe 1,57%, aos 208.295 pontos4Demanda recorde em leilão japonês faz iene subir; dólar encerrou segunda a R$ 5,045Advogado Sebastian Watenberg é sondado para diretoria do Banrisul no governo Zucco