Segunda-feira, 2 de novembro de 2026Porto Alegre 22° céu limpoJornal do diaReceber no WhatsApp
Buscar
UrgentePetróleo cai 7,63% e gasolina no RS, a R$ 6,16, espera nova pesquisa da ANP
Dólar R$ 5,44 ▲ 0,03%Euro R$ 6,08 ▲ 0,24%Ibov 167,9 mil estávelNasdaq 25,2 mil estávelB3 · fechamento 22:44
Dólar R$ 5,44 ▲0,03%Euro R$ 6,08 ▲0,24%B3 167,9 mil ▼0,00%Nasdaq 25,2 mil ▼0,00%Soja R$ 145,84 ▼0,45%Arroz R$ 108,44 ▲3,79%Boi R$ 394,49 ▼0,00%
MundoEconomiaAfeta o RS

Brent fecha a US$ 116,72, alta de 3,14%, no maior valor desde 29 de abril

Fechamento vem com ataques houthis na Arábia Saudita e relato iraniano de sete navios-tanque danificados em Ormuz; WTI encerra a US$ 103,27 e Aramco adota trabalho remoto.

Por que afeta o RS: Combustíveis e custos de transporte no Rio Grande do Sul são influenciados pela cotação internacional do petróleo.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 9 min de leitura

Atualizada 24/10, 03:18 · O Brent fechou a sexta (23) a US$ 116,72, alta de 3,14% e maior valor desde 29 de abril, e o WTI encerrou a US$ 103,27, alta de 3,8%; os Emirados também reportaram vazamento de petróleo na costa de Umm Al Quwain.

Plataforma de extração de petróleo no mar, vista ao pôr do sol por trás de dunas.
Foto: Nandaro / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O petróleo Brent fechou nesta sexta (23) a US$ 116,72 o barril, alta de US$ 3,55, ou 3,14%, o maior valor desde 29 de abril. O WTI, referência nos EUA, encerrou a US$ 103,27, avanço de 3,8%. A alta veio com novos ataques atribuídos aos houthis contra alvos na Arábia Saudita e o relato iraniano de sete navios-tanque danificados em um único dia no Estreito de Ormuz.

Durante o pregão, o contrato havia chegado a US$ 114,72, a máxima desde 4 de maio, segundo a Reuters. Depois, avançou além de US$ 116, com alta de 3,1% sobre o fechamento de quinta, segundo a Associated Press.

Às 10h06 GMT (7h06 em Brasília), o Brent era negociado a US$ 114,31 e o WTI a US$ 101,12, alta de 1,7%. Mais cedo, às 08h10 GMT, o Brent estava a US$ 113,96 e o WTI a US$ 100,57. Na quinta (22), o Brent fechou a US$ 113,17, alta de 4% e maior fechamento desde 4 de maio. No início do mês, estava abaixo de US$ 97.

A alta de quinta veio depois de novos ataques houthis na Arábia Saudita e da ordem dos Estados Unidos para a saída de parte de seus funcionários e familiares do país. A Aramco, estatal saudita de petróleo, ordenou a evacuação da sede em Dhahran e orientou funcionários a trabalhar remotamente, segundo a Reuters.

O WTI subiu 2,4% na quinta e fechou a US$ 99,47. Naquele dia, às 13h11 GMT (10h11 em Brasília), o Brent era negociado a US$ 112,01, alta de 2,9%, e o WTI a US$ 99,56, segundo a Reuters.

Dois mortos foram registrados em um ataque de drones a um campo de petróleo saudita, segundo a cobertura da escalada na região. As bolsas asiáticas recuaram, e investidores buscaram segurança em títulos públicos. Em Nova York, o S&P 500 caiu 1,3% na quinta, pressionado pela alta do petróleo e por preocupações com ações de inteligência artificial, segundo a Associated Press.

O governo americano também ofereceu um empréstimo de até quase um terço de sua reserva emergencial de óleo para aquecimento, por causa da pressão sobre os preços.

Nos Emirados Árabes Unidos, autoridades informaram um vazamento de petróleo na costa de Umm Al Quwain. Elas não identificaram a causa nem o navio envolvido.

Para o Rio Grande do Sul, um Brent acima de US$ 100 pode pressionar diesel, gasolina e transporte, com reflexo nos fretes e nos custos de produção de soja, arroz e leite. O diesel mais caro e os fertilizantes, que também sobem com o petróleo, pesam no custo da lavoura. O frete médio global de petróleo passou de US$ 20 por barril, contra US$ 3 há um ano, segundo o Goldman Sachs. Com o frete mais de seis vezes maior, o custo de trazer o combustível também sobe. Uma alta prolongada, como a que a AIE projeta, estende esse efeito por mais tempo.

Energia cara pode manter inflação dos alimentos até 2027

Além do petróleo, o gás disparou na Europa e na Ásia, e a conta chega aos orçamentos domésticos, informou a Reuters. O encarecimento atinge transporte, aquecimento, alimentos, roupas e embalagens.

A agência aponta que o choque de energia alimenta a inflação e pode elevar o custo de empréstimos e hipotecas. A pressão sobre fertilizantes e transporte pode prolongar a alta dos alimentos até 2027. Para o consumidor gaúcho, o caminho passa por combustível, frete e insumos da lavoura, que chegam ao preço do prato e da embalagem.

Ormuz segue fechado, e outubro bate recorde de ataques a navios

O Irã mantém o estreito fechado. A passagem concentrava cerca de 20% do petróleo mundial antes da guerra. O estreito e as águas próximas registraram 28 ataques a embarcações em outubro, o maior total mensal desde que o monitoramento começou, em 2017, segundo o Washington Institute e a Reuters. Desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o instituto contabiliza 113 ataques.

A Organização Marítima Internacional (IMO) registra mais de 30 superpetroleiros danificados no conflito, 11 deles em outubro, segundo revisão da Reuters de dados da entidade.

Nesta sexta, a Guarda Revolucionária afirmou que sete navios-tanque foram danificados no estreito em um único dia, em ataques e explosões de minas. O relato entrou entre os motivos da nova alta do petróleo.

A Guarda também disse que um superpetroleiro com mais de 2 milhões de barris pegou fogo ao atingir uma mina ao sul de Ormuz. Segundo a Marinha da Guarda, o incidente ocorreu na terça (20) e é o terceiro caso do tipo.

A Guarda ainda afirmou que as minas impediram três petroleiros de cruzar o estreito por rotas que Teerã considera não autorizadas, e que abateu um drone americano MQ-9. A versão iraniana não tem confirmação independente.

A Kpler contabiliza ao menos 18 ataques a embarcações em duas semanas, segundo a Reuters. Novos relatos de ataques a navios em Ormuz e no Golfo de Omã surgiram na quarta (21) e voltaram a pesar na quinta.

Brent fecha a US$ 116,72 na sexta e supera a máxima de quinta

Na terça, o Brent chegou a US$ 111,99, o maior nível em cinco meses até então, e depois recuou. No fechamento, os contratos futuros caíram cerca de 0,7%, para US$ 108,79, segundo a CNBC. Na quarta (21), o barril reverteu a queda e superou US$ 110, segundo a Bloomberg, com o Brent a US$ 110,38 e o WTI a US$ 99,18, segundo a Reuters. Ao longo da manhã, os preços perderam força e o Brent voltou para perto de US$ 108,4.

A sessão de quarta terminou praticamente no zero a zero: o Brent fechou a US$ 108,82, alta de 3 centavos, e o WTI recuou 67 centavos, para US$ 97,15, segundo o Yahoo Finance. Na quinta, o Brent abriu com alta de 1,1%, a US$ 110,03, e o WTI chegou a US$ 98,12 mais cedo, segundo a Reuters. Ao longo do pregão, o avanço ganhou força, e o Brent fechou a US$ 113,17, alta de 4%, o maior fechamento desde 4 de maio.

Na sexta (23), o contrato começou o pregão asiático a US$ 112,96, 21 centavos abaixo do fechamento de quinta, segundo a Reuters. Ao longo do dia, o preço subiu, ultrapassou US$ 114 e chegou a US$ 114,72. O WTI passou de US$ 100 e chegou a US$ 101,12. O Brent terminou a sessão a US$ 116,72 e o WTI a US$ 103,27. O mercado também reagiu a riscos para a navegação no Mar Vermelho e a ameaças contra a infraestrutura petrolífera saudita.

A oferta global sofreu outro golpe fora do Golfo. O fechamento de uma válvula em um oleoduto da Líbia reduziu a produção ligada aos campos de Hamada e Tahara, segundo a Reuters.

Os dados do Instituto Americano do Petróleo (API) mostram queda de 4,9 milhões de barris nos estoques de petróleo dos EUA na semana até sexta (16). A Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA) informou queda de 3,06 milhões de barris nos estoques de petróleo bruto na semana passada, para 412,5 milhões. Analistas esperavam recuo de 820 mil barris. Junto com os ataques a navios em Ormuz, a baixa ajudou a empurrar o preço.

O pico de terça ficou acima dos US$ 110,70 de segunda (19), até então o maior valor desde 20 de maio. Rumores de mediação de Catar e Paquistão para retomar as negociações com o Irã derrubaram o preço na terça, mas a queda durou uma sessão.

O Morgan Stanley elevou a projeção do Brent para cerca de US$ 105 no 4º trimestre.

AIE vê recuperação do Golfo frágil e Birol não prevê normalização em 2027

A AIE afirma que os ataques renovados deixam frágil a recuperação do Golfo. O fluxo de petróleo da região foi de 10,9 milhões de barris por dia em setembro, segundo a agência.

O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou em Londres, na terça, que não vê um caminho confiável para a normalização dos mercados em 2027. Ele alertou para o risco de novas interrupções em Ormuz e disse que os países da AIE podem considerar liberar mais reservas estratégicas.

Ordem de Trump sobre a Rússia segue em avaliação

Os investidores avaliam a ordem de Donald Trump que suspendeu parte das sanções e tarifas sobre a energia russa. Trump assinou o texto na sexta (16). Ele dispensou disposições da chamada Graham Act, entre elas tarifas de até 500% sobre produtos russos e de até 100% sobre bens de grandes compradores de petróleo e gás da Rússia. A ordem não revogou sanções anteriores, impostas por outras medidas executivas.

A ordem não traz data de término. Trump disse no sábado (17) que ainda não anunciou decisão final, e o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o governo quer mais tempo para avaliar. Rubio indicou que a administração pode levar até 60 dias para medir as consequências econômicas.

Houthis ampliam ataques à Arábia Saudita

Os houthis, do Iêmen, disseram na segunda (19) ter feito seis ataques em 48 horas contra alvos de petróleo, aviação e militares na Arábia Saudita. Entre eles estariam uma instalação da Aramco em Yanbu e o campo de Shaybah. A Arábia Saudita não confirmou esses ataques.

Com os novos ataques de quinta, a Aramco ordenou a evacuação da sede em Dhahran e passou a manter parte da equipe em trabalho remoto. Um deles atingiu o aeroporto civil de Dammam e deixou um morto e oito feridos, segundo o bbc.bm. O banco Danske também aponta que ataques a navios perto de Ormuz seguem ameaçando o fluxo de petróleo do Golfo.

Próximos passos

A Casa Branca ainda deve definir se mantém a dispensa das tarifas e sanções. Os países da AIE podem decidir por novas liberações de reservas estratégicas. Os EUA mantêm de pé a oferta de empréstimo da reserva de óleo para aquecimento. As conversas de mediação de Catar e Paquistão com o Irã seguem no radar dos investidores.

Atualização: o Brent fechou a sexta (23) a US$ 116,72, alta de 3,14%, e o WTI a US$ 103,27, alta de 3,8%. O fechamento substitui a cotação intradiária de US$ 116 e a referência anterior de "maior nível desde junho de 2022", que não vale para o fechamento: o maior valor é desde 29 de abril. Entrou também o vazamento de petróleo na costa de Umm Al Quwain, nos Emirados.

Saber mais: fontes consultadas (58)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

Receba as 5 do dia no WhatsApp

As notícias que importam para ti, todo dia de manhã. De graça, sai quando quiser.

Depois tu escolhe região, time e horário. Sem spam e de graça, como tem que ser. privacidade

Do interior do RS