Bolsas da Ásia caem após Nasdaq recuar 2,6%; Brent sobe a US$ 113,73
Nikkei perde 1,7% e Kospi cai 2,4% nesta sexta, no embalo das ações de tecnologia nos EUA, onde o S&P 500 cedeu 1,3%; o dólar fechou a segunda a R$ 5,04.
Por que afeta o RS: Variações do dólar alteram custos de insumos importados e a receita de exportadores gaúchos.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 8 min de leitura
Atualizada 23/10, 08:33 · O rendimento do Treasury de dez anos caiu 19 pontos-base, a maior queda diária desde o colapso do SVB em 2023, e os futuros reduziram a aposta em alta dos juros nos EUA no próximo ano.

O iene ganhou força no pregão asiático desta terça (20), depois de um leilão de títulos japoneses de longo prazo com demanda recorde. No começo da sessão, o dólar estava estável a 158,56 ienes, o euro valia US$ 1,1216 e a libra subia 0,1%, a US$ 1,3308.
Para o Rio Grande do Sul, o câmbio pesa no bolso de quem importa e de quem exporta. Dólar mais barato alivia, em reais, o custo de insumos e máquinas importados por indústrias gaúchas. Dólar mais caro aumenta a receita convertida de exportadores.
Leilão japonês teve demanda recorde
Por aqui, o dólar comercial fechou a segunda (19) em queda de 0,49%, a R$ 5,04, a segunda baixa seguida frente ao real. Os investidores acompanhavam novas pesquisas eleitorais, que mostram disputa acirrada entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Ministério das Finanças do Japão ofereceu cerca de ¥ 700 bilhões em títulos de 20 anos. A taxa média ficou em 3,723%. A procura equivaleu a 5,84 vezes o volume vendido, ante 4,01 vezes no leilão de setembro. O rendimento do título de 20 anos chegou a cair 6 pontos-base, para 3,71%.
Os japoneses também seguem vendendo papéis de fora. Segundo o Ministério das Finanças, investidores do país venderam títulos estrangeiros de longo prazo pela quinta semana seguida, a maior sequência em quatro anos. Na semana até 17 de outubro, as vendas líquidas somaram ¥ 161,6 bilhões (cerca de US$ 1,02 bilhão). Nas cinco semanas, o total chega a aproximadamente ¥ 3,43 trilhões. Rendimentos mais altos no Japão podem estar atraindo esse dinheiro de volta ao mercado doméstico.
Dólar sobe no exterior e Europa segue no radar
No mercado internacional, o índice do dólar, que mede a moeda americana frente a uma cesta de divisas, subiu 0,2% na segunda, para 101,98 pontos. Foi a primeira alta após dois dias de queda. A Reuters apontou que a instabilidade política europeia, incluindo os protestos na França, seguia no radar dos investidores.
Na Ásia, os mercados também acompanharam a decisão do banco central chinês de manter os juros inalterados. A movimentação do dólar e do euro nessa abertura ocorreu com atenção a esses dois fatores, o risco político francês e a decisão em Pequim.
O Relatório Focus, do Banco Central, reduziu a projeção do dólar para o fim do ano de R$ 5,15 para R$ 5,13. A expectativa para a Selic ficou em 13,25% ao ano. Para 2027, a estimativa caiu de R$ 5,26 para R$ 5,22.
Wall Street fecha em alta e bolsas asiáticas terminam mistas
As bolsas dos Estados Unidos fecharam em alta nesta terça (20), depois de o petróleo recuar de máximas de seis meses, segundo a Reuters. O Dow Jones subiu 1,02%, e os rendimentos dos títulos longos do Tesouro americano caíram.
Durante a sessão, o Brent chegou perto de US$ 112 o barril, e o WTI passou de US$ 110. Mesmo com o recuo, o petróleo segue quase 80% mais caro que um ano antes.
Nesta quarta (21), as bolsas asiáticas abriram em alta, embaladas por Wall Street e por balanços corporativos fortes. Os títulos se estabilizaram. O Brent subiu até 1,1%, para US$ 110,03, com as tensões no Oriente Médio no radar.
No fechamento, o pregão asiático ficou misto, com a tecnologia puxando Japão e Coreia do Sul. O Kospi, de Seul, subiu 3,3%, a 5.735,66 pontos, e o Nikkei 225, de Tóquio, avançou 0,9%, a 64.621,24. Na China, o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,7%, e o índice de Xangai caiu 0,6%.
O Japão também informou que as exportações cresceram 16,7% em setembro. Na Coreia do Sul, a Elice, que caiu 32% na estreia na terça, subiu o limite diário de 29,9%.
Banco da Coreia interrompe sequência de altas
Nesta quinta (22), o Banco da Coreia, banco central da Coreia do Sul, manteve a taxa básica em 3,00%. A decisão interrompe duas altas consecutivas de 0,25 ponto, feitas em julho e agosto. Todos os 34 analistas consultados pela Reuters esperavam a manutenção.
Bolsas da Ásia caem 1,8% e vão ao menor nível em quase três meses
As bolsas da Ásia fecharam em queda forte nesta quinta (22), segundo a Reuters. O MSCI da região, sem o Japão, recuou 1,8% e chegou ao menor nível em quase três meses. O índice caminha para a quarta semana seguida de perdas.
O Nikkei, de Tóquio, caiu 2%. As ações sul-coreanas perderam mais de 4%, e o CSI300, da China, recuou 2%. Os investidores se preocuparam com os custos crescentes dos investimentos em inteligência artificial e com a escalada de tensões no Golfo. O otimismo com os resultados de empresas de tecnologia deu apoio só por pouco tempo.
O rendimento do Treasury, o título do governo americano, de dez anos estava em 5,1065%, e o dólar recuava levemente. A procura por títulos públicos cresceu. O Brent voltou a subir e ficou perto de US$ 110 por barril. Os EUA ordenaram que diplomatas deixem a Arábia Saudita, em meio a ataques dos houthis.
Bolsas globais recuam 0,4% e juro francês passa de 5%
O movimento de aversão ao risco chegou ao resto do mundo. O índice MSCI All-World, que reúne ações de países desenvolvidos e emergentes, caiu 0,4% nesta quinta (22), segundo a Reuters. O petróleo, perto de US$ 112 o barril, e as dúvidas sobre as perspectivas da inteligência artificial pressionaram as ações de tecnologia.
Na Europa, o rendimento dos títulos franceses de dez anos passou de 5%, em meio à preocupação com o orçamento e a instabilidade política do país. O dólar caiu frente ao iene, e o ouro recuou 1,2%, para US$ 4.090 a onça.
Nasdaq cai 2,6% e S&P 500 perde 1,3%, o pior dia desde julho
Em Nova York, o fechamento da quinta (22) confirmou o tom negativo. O Nasdaq, índice com forte peso de tecnologia, recuou 2,6%, e o S&P 500 perdeu cerca de 1,3%, segundo a Associated Press. Foi o pior desempenho diário do S&P 500 desde julho.
A queda foi puxada por ações de tecnologia e de inteligência artificial, diante da preocupação de que juros elevados prejudiquem as empresas do setor. A alta do petróleo, ligada à guerra com o Irã, também pesou nos mercados.
O rendimento do Treasury de dez anos caiu 19 pontos-base, o maior recuo diário desde o colapso do Silicon Valley Bank, em 2023, segundo análise da Reuters publicada nesta sexta (23). A queda veio com a venda de ações de tecnologia e a preocupação com o volume de recursos necessário para financiar centros de dados e inteligência artificial. Os contratos futuros passaram a precificar menos chance de alta dos juros nos EUA no próximo ano.
Ásia cai de novo na sexta, e Brent chega a US$ 113,73
As bolsas asiáticas recuaram nesta sexta (23), no embalo das perdas das ações de tecnologia e de inteligência artificial nos EUA. O Nikkei, de Tóquio, perdeu 1,7%, e o Kospi, de Seul, caiu 2,4%.
O Brent subia 0,5%, a US$ 113,73 por barril, com a guerra no Irã e as dúvidas sobre o custo de financiar centros de dados no radar dos investidores.
Varejo britânico cai 0,4% e confiança do consumidor tem maior queda desde a pandemia
O volume de vendas do varejo no Reino Unido caiu 0,4% em setembro ante agosto, mais que a retração de 0,1% esperada por economistas consultados pela Reuters. Uma pesquisa publicada nesta sexta (23) apontou a maior queda mensal da confiança do consumidor desde o início da pandemia de Covid-19.
O combustível mais caro pesou no orçamento das famílias. O volume de vendas de combustível avançou 2,2%, e o valor gasto com ele subiu mais de 6% no mês. O petróleo alto, em meio à guerra no Golfo, pressiona as contas domésticas britânicas.
FMI prevê queda de 1,3% no Oriente Médio por causa da guerra
O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a produção econômica do Oriente Médio, do Norte da África e do Paquistão encolha 1,3% em 2026 por causa da guerra contra o Irã. O relatório, divulgado nesta quinta (22) em Dubai, aponta como causas as interrupções na produção de energia, no transporte marítimo, no turismo e no comércio.
Para 2027, o FMI estima crescimento de 6,6% na região, desde que o conflito diminua e o comércio volte ao normal aos poucos. O Fundo alertou que novas interrupções no setor de energia podem piorar o cenário.
Para o RS, o humor dos mercados, dividido entre lucros fortes, dúvidas sobre inteligência artificial e petróleo caro, mexe com o câmbio e com o preço das commodities que o estado exporta. Barril alto tende a encarecer o diesel, que pesa no frete e no custo de quem produz e transporta. Mudanças abruptas nos juros dos EUA e nos preços de energia também podem repercutir no dólar, no crédito e nos custos de importação das indústrias gaúchas. A previsão do FMI mostra que a guerra pressiona o comércio e a energia em escala mundial, e esse é o mesmo canal pelo qual o conflito chega a combustíveis, custos e exportadores do estado.
Atualização: entrou a queda de 19 pontos-base no rendimento do Treasury de dez anos, a maior em um dia desde o colapso do Silicon Valley Bank, em 2023, e a redução da aposta dos contratos futuros em alta dos juros nos EUA no próximo ano, segundo a Reuters. O Brent seguia acima de US$ 113 por barril.
Saber mais: fontes consultadas (25)
- Ministério das Finanças do Japão (resultado do leilão de 20 anos)
- Reuters via AOL (iene e leilão de títulos japoneses)
- Business Recorder (rendimento do JGB de 20 anos)
- Newsquawk (resultado do leilão)
- InfoMoney (fechamento do dólar e Focus)
- Mercado Hoje (dólar em 19/10 e pesquisas eleitorais)
- Fidelity (Reuters, dólar e euro no início do pregão asiático)
- Fidelity (Reuters, euro e dólar no início do pregão asiático de 20/10)
- Reuters (mercados globais em 20/10)
- Reuters (mercados globais em 21/10)
- WSLS (Asian shares are mixed with Kospi up 3% after US stocks rally on strong earnings)
- Share-Talk (What happened overnight, quarta 21 de outubro de 2026)
- Reuters (decisão do Banco da Coreia)
- Reuters (bolsas asiáticas e tensão no Golfo em 22/10)
- Reuters (mercados globais em 22/10)
- Reuters (previsão do FMI para o Oriente Médio)
- Charlotte Observer (vendas japonesas de títulos estrangeiros)
- Reuters (mercados globais, visão EUA, 22/10)
- Associated Press via Union-Bulletin (resumo de notícias da AP)
- Asian shares slip (WPXI)
- Squamish Chief (AP, ações de IA e petróleo)
- ABC News Australia (mercados em 23/10)
- Reuters (varejo e confiança do consumidor no Reino Unido)
- Reuters (fundos de hedge perdem mais de 1% em 22/10)
- Reuters (mercados globais, visão Europa, 23/10)
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