Após reeleição, governo prepara regulamentação da 6x1, MP do imposto seletivo e PEC do IPI
O pacote inclui crédito do BNDES a pequenas empresas e medidas para conter despesas em 2027; acordos incompatíveis com a emenda perdem validade em 16 de dezembro.
Por que afeta o RS: A emenda e sua regulamentação valem para trabalhadores e empresas gaúchos, com as regras incompatíveis deixando de valer em 16 de dezembro.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 4 min de leitura
Atualizada 26/10, 09:01 · Reportagem do Extra de 26/10 informa que Lula foi reeleito e detalha o pacote pós-eleição: MP com alíquotas do imposto seletivo para bebidas alcoólicas, açucaradas e cigarros, PEC sobre a transição do IPI e medidas para conter despesas no Orçamento de 2027.

O governo federal deixou para depois do segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25), a regulamentação da emenda que acabou com a escala 6x1. Com Lula reeleito, o Planalto deve enviar ao Congresso a regulamentação e medidas da reforma tributária. A Casa Civil elabora um decreto sobre negociações coletivas e um projeto de lei complementar para atividades com escalas diferenciadas.
A emenda não depende desse calendário e vale para trabalhadores e empresas do Rio Grande do Sul. A Assespro-RS, associação das empresas de tecnologia gaúchas, alerta que a mudança também alcança quem já trabalha cinco dias por semana, mas cumpre 44 horas com compensação do sábado. Acordos e convenções coletivas fora das novas regras perdem a validade a partir de 16 de dezembro.

O que a emenda já determina
A Emenda Constitucional 141 foi promulgada pelo Congresso em 16 de outubro. Ela substitui a escala de seis dias de trabalho por um de descanso pela jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial.
A transição tem duas etapas. Dois meses após a publicação, a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais, e o trabalhador passa a ter dois dias de repouso remunerado. Um ano depois, o limite chega a 40 horas. Um dos dois dias de descanso deve ser, preferencialmente, o domingo.
Levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego citado pelo Senado aponta que, entre 44,7 milhões de trabalhadores com jornada identificada no país, cerca de 14,9 milhões cumprem a escala 6x1.
Custo do trabalho formal pode subir até 8%
Reportagem do R7 publicada no sábado (24) cita avaliação atribuída ao Ipea de que o fim da escala 6x1 pode aumentar em até 8% o custo do trabalho formal. Especialistas consultados pelo R7 afirmam que a regulamentação exige articulação no Congresso e definição de fontes de financiamento, tarefas que caberão ao próximo governo.
O que o governo prepara
Segundo a reportagem do Extra, o decreto deve esclarecer que sindicatos e empresas podem fazer aditivos aos acordos em vigor. As negociações mais amplas ficariam para as datas-base de cada categoria, já com os novos parâmetros. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que o objetivo do decreto é facilitar as negociações coletivas.
O projeto de lei complementar deve tratar das exceções levantadas por parlamentares durante a tramitação da PEC. Leitão citou como exemplos os petroleiros embarcados em plataformas e os aeroviários, que têm escalas diferenciadas. O governo não informou data para apresentar o decreto e o projeto.
Pacote da reeleição inclui MP do imposto seletivo e PEC do IPI
O Globo e o Extra informaram nesta segunda (26) que o governo pretende enviar ao Congresso, depois da eleição, projetos ligados à regulamentação da escala 6x1 e à reforma tributária. Entre eles estão uma medida provisória com as alíquotas do imposto seletivo sobre bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e cigarros, e uma PEC sobre a transição do IPI. Há ainda uma regra de conformidade para empresas durante a adaptação.
O pacote também prevê uma linha de crédito do BNDES para pequenas empresas, voltada aos custos da transição da jornada, e iniciativas para conter despesas no Orçamento de 2027. Para o comércio e os serviços do RS, onde os pequenos negócios respondem por boa parte dos empregos, o crédito é o ponto que pode pesar no caixa. Os jornais descrevem as medidas como planos, não como textos já aprovados.
O que cada candidato propõe para o trabalho
Reportagem do g1 publicada na sexta (23) comparou os planos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro para o trabalho.
Lula defende reduzir a jornada semanal para 40 horas, apoiar o fim da escala 6x1 e regulamentar o trabalho por aplicativos. Flávio propõe rever regras da CLT, ampliar os contratos por hora e dar mais peso à negociação direta entre empresas e trabalhadores.
Prazos que seguem valendo
O segundo turno foi no domingo (25). A jornada de 42 horas e os dois dias de repouso valem a partir de 16 de dezembro de 2026. O limite de 40 horas entra em vigor em 16 de dezembro de 2027.
Atualização: a matéria passou a incluir o resultado do segundo turno, com Lula reeleito, e os detalhes do pacote que o governo pretende enviar ao Congresso, segundo o Extra desta segunda (26): MP com alíquotas do imposto seletivo sobre bebidas alcoólicas, açucaradas e cigarros, PEC sobre a transição do IPI e medidas para conter despesas no Orçamento de 2027.
Saber mais: fontes consultadas (9)
- Extra — governo deixa regulamentação para depois do segundo turno
- Agência Senado — Congresso promulga o fim da escala 6x1
- Agência Senado — Senado aprova fim da escala 6x1
- Assespro-RS — Emenda Constitucional nº 141/2026 exige planejamento das empresas
- Contábeis — Emenda 141 muda jornada e garante mais descanso
- g1 — O que Lula e Flávio propõem aos trabalhadores
- R7 — Próximo presidente terá desafio de executar propostas sobre fim da escala 6x1, MEIs e segurança
- O Globo — projetos que o governo deve enviar ao Congresso após a eleição
- Extra — reeleito, Lula deve enviar regulamentação da PEC 6x1 e detalhe da reforma tributária ao Congresso
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