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Amarante projeta perda de R$ 120 milhões com rebaixamento do Inter

Candidato à presidência colorada diz que a arrecadação mensal de R$ 8 milhões pode chegar a R$ 16 milhões com patrocínio master e novas fontes.

Redação Bairrista · Mesa de Esportes · · 6 min de leitura

Atualizada 21/10, 23:01 · Entraram as datas da eleição: primeiro turno no Conselho Deliberativo em 9 de novembro e, se necessário, votação no pátio com os sócios em 12 de dezembro, além de detalhes da sabatina (duração e entrevistadores).

Arte do Bairrista: Amarante projeta perda de R$ 120 milhões com rebaixamento do Inter
Arte: Bairrista · escudos: divulgação dos clubes

O candidato à presidência do Inter José Amarante estimou, em sabatina na quarta-feira (21), que o clube perderia cerca de R$ 120 milhões em caso de rebaixamento. Segundo ele, a queda para a Série B "dificulta muito, mas muito" a relação com os credores. Amarante tratou o cenário como hipótese e disse que preferia não responder à pergunta por causa do seu coloradismo.

O tema pesa na eleição porque o Inter está na zona de rebaixamento a sete rodadas do fim do Brasileirão. O time tem 32 pontos e vem de derrota por 2 a 0 para o Mirassol. O próximo jogo é contra o Botafogo, no sábado (24), às 16h30, no Beira-Rio.

Arrecadação de R$ 8 milhões por mês

Amarante afirmou que a arrecadação mensal do clube é de R$ 8 milhões e "pode chegar a 14, 15, 16". Para ele, o caminho passa por dar mais visibilidade ao Inter e buscar recursos em áreas que o clube ainda explora pouco. Ele citou o patrocínio master entre as possíveis novas fontes.

O candidato também afirmou que o plano de mudança precisa funcionar com o clube na Série A, e não só em caso de queda. Reconheceu, porém, que a segunda divisão torna tudo "extremamente difícil". Amarante não detalhou como chegou ao valor de R$ 120 milhões, nem quanto viria de cada nova fonte de receita.

Diagnóstico da dívida em cinco meses, plano de saída no primeiro ano

Amarante prometeu fazer o diagnóstico e o ajuste da dívida nos cinco primeiros meses de gestão, junto com os credores. Nesse prazo, afirmou, já será possível "taxar uma data" para o clube chegar ao equilíbrio. Com os números na mão, a ideia é chamar cada credor e mostrar como o Inter pretende pagar. "Tu chama o teu credor e mostra para ele, diz, olha, nós vamos fazer assim", explicou.

Segundo o candidato, não há como fazer isso sem os credores, porque eles têm dinheiro a receber e o clube, como devedor, precisa mostrar como vai sair da situação. Ele disse que, no primeiro ano, a gestão já terá "condições totais" de saber como o plano vai se dar. Amarante também apontou o endividamento como o maior problema do Inter, que ele cita como o sétimo clube mais endividado do país.

Soldado sai, Abel fica como elo com o Conselho

Em entrevista durante a campanha, Amarante disse que Fabinho Soldado não permanecerá no clube se ele vencer a eleição. "Não ficará conosco. Independente se cair ou se ficar", afirmou.

Sobre o técnico atual, o candidato não se comprometeu com a permanência. Lembrou que ele tem o melhor aproveitamento da temporada, com uma vitória, um empate e uma derrota em três jogos, e que "se nós mantivermos isso, a gente tem chance de escapar". Disse que o treinador será valorizado se mantiver o Inter na Série A e que será "respeitado, ouvido e analisado", sem garantir que siga no cargo.

Já Abel Braga continua como coordenador técnico. Amarante chamou Abel de "patrimônio do Inter" e afirmou que não pretende mexer nele. Pelo plano do candidato, Abel será a ponte entre o futebol e o Conselho de Gestão. "Em hipótese alguma, tu verás eu conversando, ou alguém do Conselho de Gestão nosso, conversando isoladamente com algum da comissão técnica. O único será o Abel", disse. Ele descreveu o papel como o de um consultor, "o algodão entre cristais".

CEO, executivo e vice de futebol já têm nomes

Amarante disse que já tem uma pessoa em conversa para o cargo de CEO e que ela já ajuda a campanha em "vários segmentos" da gestão do clube. Para o candidato, o CEO não é quem gere o clube inteiro, mas quem faz a ligação entre as áreas. "Quando tu perde essa relação entre as áreas, cada área faz como quer, vira uma bagunça", afirmou.

Sobre o executivo de futebol, disse que o nome está "trabalhado", mas não o revelou: "eu não caio mais nessa". Também afirmou que já tem o vice de futebol e os integrantes do departamento, sem divulgá-los. Segundo ele, são "ótimos gestores". O perfil que busca para o treinador é o mesmo: alguém "acostumado a gerir pessoas".

Comitês por área e reuniões todo mês

No modelo de Amarante, a gestão e a execução ficam com profissionais, em todas as áreas. Cada área terá um comitê, previsto no Estatuto do Inter, que acompanha o planejamento e cobra o resultado. A execução é do executivo. "Não existe não fazer resultado", disse.

O Conselho de Gestão acompanharia as áreas por relatórios dos comitês e dos executivos, o que permitiria comparar os dados. As reuniões, segundo o candidato, serão mensais: "não podem ser uma reunião a cada 90 dias".

Base e jogadores de 18 a 23 anos no lugar de contratações caras

Perguntado se é possível montar um time competitivo sem o risco que o Inter corre agora, Amarante criticou a política de contratações do clube. "O Inter investe mal. O Inter contrata mal. E não é de hoje, é de sempre", afirmou. Ele lembrou que o clube foi para a segunda divisão em 2016, quase foi no ano passado e está de novo na mesma situação. "O que foi feito de concreto nesses três períodos?", questionou.

Para o candidato, o sistema de contratação foi sempre o mesmo: buscar jogador para atingir um objetivo imediato. Ele defende três caminhos para montar o elenco: a categoria de base, um scout que encontre jogadores medianos de mais valor e o dinheiro, "que essa nós não temos".

Sem dinheiro, disse Amarante, o Inter precisa aproveitar ao máximo a base e buscar atletas de 18 a 23 anos que permitam ganho financeiro no futuro.

O que dizem os números do clube

A maior parte do impacto de uma queda viria da televisão. Levantamento da GZH, reproduzido pelo SCInter, indica que Inter e Grêmio recebem cerca de R$ 150 milhões cada pela Série A. Os clubes da Série B receberam aproximadamente R$ 15,5 milhões em 2026. No melhor cenário apresentado para 2027, o Inter receberia cerca de R$ 24 milhões na segunda divisão, uma redução próxima de R$ 126 milhões.

A dívida é o pano de fundo. O balanço oficial divulgado pelo Inter em abril apontou dívida de R$ 891 milhões. Em dezembro de 2025, eram R$ 940 milhões. Com base nos balanços do primeiro semestre, o economista Amir Somoggi, sócio da Sports Value, calcula um passivo próximo de R$ 1,04 bilhão. Esse número é uma estimativa do especialista, não um balanço divulgado pelo clube.

O presidente Alessandro Barcellos informou aos três candidatos que o clube precisa de cerca de R$ 140 milhões até o fim de 2026 para equilibrar as contas. O Inter ainda cumpre dois transfer bans aplicados pela Fifa e responde a cinco processos que podem gerar novas punições.

Votação no Conselho é em 9 de novembro

A disputa pela sucessão do presidente Alessandro Barcellos tem três candidatos. O primeiro turno da votação, no Conselho Deliberativo, está marcado para 9 de novembro. Se for necessário um segundo momento, a eleição no pátio, com participação dos sócios, será em 12 de dezembro.

As sabatinas promovidas pelo Grupo RBS começaram na quarta (21), com Amarante. Ele respondeu por uma hora e meia a seis comunicadores: Eduardo Gabardo, Maurício Saraiva, Leonardo Oliveira, Nani Chemello, Tomás Hammes e Rafael Diverio. Os temas incluíram futebol masculino e feminino, base, finanças, governança, infraestrutura e SAF. Leonardo Aquino é entrevistado nesta quinta (22) e Roberto Melo, nesta sexta (23).

Atualização: entraram as datas da eleição (primeiro turno no Conselho Deliberativo em 9 de novembro e, se necessário, votação no pátio em 12 de dezembro) e detalhes da sabatina de Amarante.

Perguntas frequentes

Quando é a votação do Inter para presidente?

O primeiro turno no Conselho Deliberativo será em 9 de novembro; se necessário, a votação no pátio será em 12 de dezembro.

Quanto o Inter perderia com o rebaixamento?

Segundo José Amarante, cerca de R$ 120 milhões; o levantamento da GZH indica redução próxima de R$ 126 milhões na TV.

Qual a dívida do Inter?

O balanço oficial de abril aponta R$ 891 milhões; estimativa do economista Amir Somoggi é de cerca de R$ 1,04 bilhão.

Quando o Inter joga contra o Botafogo?

No sábado (24), às 16h30, no Beira-Rio.

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